sábado, 7 de janeiro de 2012

1ª linha de Ogum


1ª. LINHA: OGUM Ogum domina a primeira Linha de Umbanda, que controla todos os fatos de execução e cobrança do carma de cada indivíduo ou grupo, daí serem soldados.
1. Falange de Ogum Beira-Mar Colaboradores de Iemanjá, Ogum Beira-Mar trabalha sobre a areia molhada, enquanto Ogum Sete-Ondas trabalha sobre as ondas. Aceitam oferendas com velas nas cores branca, verde, vermelha e azul-clara.
2. Falange de Ogum Rompe-Mato Ogum Rompe-Mato trabalha para Oxóssi (Ode) e Ossãe, nas matas. Ogum das Pedreiras trabalha para Xangô, nas pedreiras. Em ambos os casos, é a mesma falange que trabalha para os dois Orixás, com nomes diferentes. Rompe-Mato aceita suas oferendas na entrada da mata, nas cores verde, vermelha e branca, sendo a vela vermelha. Ogum das Pedreiras aceita suas oferendas em torno das pedreiras, nas cores verde e vermelha (misturadas geram o marrom), com velas nas mesmas cores.
3. Falange de Ogum Megê É colaborador de Iansã; seu nome significa “Sete”. É o guardião dos cemitérios, rondando suas calçadas, lidando diretamente com a Linha das Almas. Toda sua oferenda será em vermelho e branco, próxima ao cruzeiro do cemitério (calunga pequena).
4. Falange de Ogum Naruê Seu nome significa “Aquele que é o primeiro a gerar valor”. Trabalhando diretamente na Linha das Almas, desmanchando a magia negra, controla as almas quibandeiras. Aceita suas oferendas com Ogum Megê ou, ainda, dentro ou fora dos cemitérios, nas cores branca e vermelha. Alguns incluem uma pedra-ímã nos itens a oferecer-lhe.
5. Falange de Ogum Matinata Com poucos médiuns que o incorporam, sua falange protege os campos de Oxalá, os locais abertos, floridos e iluminados. Mas não trabalha directamente para esse Orixá. Aceita suas oferendas nos campos floridos, nas cores vermelha e branca.
6. Falange de Ogum Iara Seu nome significa “Senhor”, trabalhando para Oxum. Suas oferendas deverão ser entregues na beira de rios, lagos ou cachoeiras, onde vibram, nas cores vermelha e branca ou verde e branca.
7. Falange de Ogum Delê (ou de Lei) “Aquele que Toca o Solo”; como seu nome significa, é uma falange que vibra na linha pura de Ogum. São eles que trabalham diretamente no carma e sua cobrança, rondando o mundo. Suas cores são vermelha e branca e suas oferendas podem ser em qualquer lugar, ao ar livre.

As 7 lagrimas de um Preto Velho



      No cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo, um triste
PretoVelho chorava.
De olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam lhe pelas faces e, não sei porquê contei-as... foram sete.
Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o:
Fala, meu Preto Velho, diz ao seu filho o porquê externas assim uma tão visível dor?
E ele,suavemente respondeu:
-"Estás vendo esta multidão de pessoas que entra e sai?As lágrimas contadas são distribuídas a cada uma delas... 
A Primeira eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distracção, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não conseguem conceber.
A segunda a estes eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os faça alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.
A terceira distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança desejando sempre prejudicar a um seu semelhante. 
A quarta aos frios e calculistas que sabem que existem uma força espiritual e procuram beneficiarse dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta chega suave,tem o riso e elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo.
A sexta eu dei aos fúteis que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam
aconchegos e conchavos e teus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho, notas como foi grande e como deslizou pesada, foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás, fiz doação desta aos médiuns vaidosos que só aparecem no centro, em dia de festa e faltam às doutrinas, esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e
espiritual.
E assim meu filho, para estes todos é que viste minhas lágrimas caírem uma a uma.



Em 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de tradicional família fluminense.  Chamava-se ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES. Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar.  Sua recuperação inesperada por um espírito causara enorme supressa.  Nem os doutores que o assistiam nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível.  A família atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.
        Zélio foi convidado a participar da Mesa. Zélio sentiu-se deslocado, constrangido, em meio àqueles senhores.  E causou logo um pequeno tumulto.  Sem saber por que, em dado momento, ele disse: "Falta uma flor nesta casa: vou buscá-la".  E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se, levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da mesa.  Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e escravos.  O dirigente advertiu-os para que se retirassem.  Nesse momento, Zélio sentiu-se dominado por uma força estranha e ouviu sua própria voz indagar por que não eram aceitas as mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam.  Essa observação suscitou  quase um tumulto.  Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura.  Afinal um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz.
        Se querem um nome - respondeu Zélio inteiramente mediunizado - que seja este: eu sou o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque para mim não haverá caminhos fechados.
        E, prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as determinações do Astral.  No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência do médium, para fundar um templo, que simbolizasse a verdadeira igualdade que deve existir entre encarnados e desencarnados.
        Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa.
        No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30 em Neves, bairro de Niterói, a entidade manifestou-se pontualmente no horário previsto - 20 horas.
        Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita, amigos da família, surpresos e incrédulos, e grande número de desconhecidos que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido.  Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da reunião, estavam curados.  Foi essa uma das primeira provas da presença de uma força superior.
        Nessa reunião, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS estabeleceu as normas do culto, cuja prática seria denominada "sessão" e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para atendimento público, totalmente gratuito, passes e recuperação de obsedados.  O uniforme a ser usado pelos médiuns seria todo branco, de tecido simples.  Não se permitiria retribuições financeiras pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados.  Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.
        A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome de UMBANDA, e declarou fundado o primeiro templo para sua prática, com a denominação de tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque: "assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que a ela recorressem, nas horas de aflição".
        Através de Zélio manifestou-se, nessa mesma noite, um Preto Velho, Pai Antônio, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo.  E foi ele quem ditou este ponto, hoje cantado no Brasil inteiro: "Chegou, chegou, chegou com Deus, Chegou, chegou, o Caboclo das sete Encruzilhadas".
        A partir desta data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos. 
  • Os enfermos eram curados; 
  • os descrentes assistiam as provas irrefutáveis; 
  • os curiosos constatavam a presença de uma força superior; 
  • e os crentes aumentavam dia a dia.  

        Cinco anos mais tarde, manifestou-se o Orixá Malé, exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra.
        Passados dez anos, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS anunciou a Segunda etapa de sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para a difusão da UMBANDA.
        A Tenda da Piedade trabalha ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos, na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos, que recorriam a Tenda, em busca da cura dos seus doentes. E o Caboclo indicava, nas relações que lhe apresentavam com nome dos enfermos, os que poderia curar: 
  • eram os obsedados, portadores de moléstias de origem psíquica; 
  • os outros, dizia ele, competia à medicina curá-los. 
        Zélio de Moraes, já então casado, por determinação da entidade, recolhia os enfermos mais necessitados em sua residência, até o término do tratamento astral. E muitas vezes, as filhas, Zélia e Zilmeia, crianças ainda, cediam o seu aposento e dormiam em esteiras, para que os doentes fixassem bem acomodados.
        Nas reuniões de estudo que se realizavam às quintas-feiras , a entidade preparava os médiuns que seriam indicados, posteriormente, para dirigir os novos templos. Fundaram-se, as Tendas
  • Nossa Senhora da Guia - Pres. Leal de Souza, cerca de 1918, 
  • Nossa Senhora da Conceição,
  • Santa Bárbara - Pres. João Salgado,
  • São Pedro - Pres. José Mendes,
  • Oxalá - Pres. Paulo Lavois,
  • São Jorge - Guia Espiritual Ogum de Tibiri, Médium João Severino Ramos, fundada em 1935  
  • São Jerônimo - Pres. José Álvares Pessoa, após 1935.  

Sincretismo Umbanda

O Sincretismo na Umbanda remonta ao tempo da escravatura no Brasil.
Os negros escravos queriam manter suas raízes religiosas, seus costumes e tradições, porém eram cerceados em suas intenções, pelos Senhores que não viam com bons olhos, todo e qualquer movimento tradicional e religioso em suas senzalas, punindo inclusive seus escravos com açoites, grilhões e outros artifícios para desencorajá-los das práticas de seus rituais recebidos de seus ancestrais nas terras de África de onde tinham sido aprisionados por grupos escravistas, encerrados em porões de navios, em péssimas condições, como era normal naquela época e vendidos como escravos, aqui no Brasil.
Foi quando surgiu nestas paragens a Cia. de Jesus (jesuítas) comandados por Padre Manoel da Nóbrega, tendo entre seus integrantes o Padre José de Anchieta e outros mais, que aqui vieram com o intuito de evangelizar os negros e índios escravos.
Por sugestão dos Jesuítas, os escravos optaram por colocar em seus Pegís, imagens e ícones católicos, com o fito de que os Senhores parassem com os castigos desnecessários. Como os ditos escravos pertenciam a várias tribos com rituais diferentes, começaram a surgir Pegís das diversas facções ou tribos originando assim uma gama extensa de sincretismo religioso.
Os mais empregados até hoje em determinados terreiros de Umbanda são os seguintes:

Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino.

Ogum - São Jorge

Oxossi - São Sebastião;

Oxum - Nossa Senhora da Conceição; Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes; Nossa Senhora da Conceição; Nossa Senhora da Glória

Exu - Santo Antonio

Iansã - Santa Bárbara;
Xangô - São Jerônimo

Nanã-Santa Ana
Omulu-São Lazaro




Anatomia de um medium 

Os Exus são minhas pernas. Ajudando-me a caminhar rumo à evolução. Cada encruzilhada é um desafio. Posso tropeçar e até cair, mas nunca me desviar do caminho, pois são Eles que me conduzem.

Os Baianos são meus braços. Com sua força e resistência me ajudando a suportar o peso das adversidades da vida. Nos momentos de luta, meus braços implacáveis, nos momentos de paz são só carinhos.
O Caboclo é meu peito; meu coração. Com sua coragem nunca recuo de meus inimigos. Posso até sentir medo das mudanças, mas nunca desistir de meus objetivos.


O Preto Velho é minha cabeça; meu cerebro. Com sua sabedoria entendo que as cosias da matéria são passageiras. Com sua paciência compreendo e respeito as diferenças de meu irmão, pois somos uma grande corrente universal, e ele depende de mim tanto quanto eu dependo dele. Com sua inocência e pureza atinjo a plenitude, pois "são delas o Reino dos Céus".
Os mistérios do saber se encerram em meu intímo, pois sou o Verbo que se fez carne. Sou a Umbanda. A Umbanda sou eu!


Conceitos da Umbanda


I - Existe um Deus único e superior. Ele é a fonte universal criadora, o principio e o fim, o alfa e o ômega. A partir dele surgem as demais divindades, que obviamente subordinam-se a ele. Nesse nível, existem Anjos, Orixás, e os Guias que habitam o mundo espiritual.

II - Os Orixás são divindades que estão pouco abaixo do Deus Supremo, representam elementos da natureza e interagem com os seres humanos no intuito de manter a evolução de cada indivíduo e sua relação com o planeta em que vivemos. Eles possuem traços de personalidade e orientam trabalhos na Umbanda. A partir deles é que surgem as sete linhas da Umbanda.

II - Os Orixás são divindades que estão pouco abaixo do Deus Supremo, representam elementos da natureza e interagem com os seres humanos no intuito de manter a evolução de cada indivíduo e sua relação com o planeta em que vivemos. Eles possuem traços de personalidade e orientam trabalhos na Umbanda. A partir deles é que surgem as sete linhas da Umbanda.
IV - Os guias e entidades são espíritos que visam cumprir determinada missão espiritual. Entretanto, entre os guias e entidades há aqueles de menor ou maior grau de evolução espiritual, pois no processo espiritualista, dar algo sem receber desequilibra a balança energética.

V - Há ainda espíritos que podem atuar no plano físico, apesar de desencarnados, de maneira positiva, ajudando guias e entidades, espalhando energias positivas ou de maneira negativa, sugando energias, causando discórdia e vícios

VI - Os adeptos da Umbanda acreditam na reencarnação. Para se atingir o equilíbrio do corpo, da mente e do espírito, são necessárias várias existências.

VII – Para entender karma e darma é necessário entender a reencarnação, pois ela rege o equilíbrio entre as ações e as reações que cada pessoa gera enquanto evolui. Se plantamos o mal, colhemos o mal; se plantamos os vícios, colhemos os vícios.
VIII - Quem pratica a Umbanda crê na mediunidade em todas as formas (vidência, clarividência, incorporação, psicografia, e outros) para interagir com o mundo espiritual buscando sua integração.

IX - Na Umbanda, a evolução material caminha lado a lado com a espiritual. O plano físico funciona como aprendizado e o espiritual como integração com Deus.
X - Os Umbandistas crêem em conceitos de manifestação que podem ser resumidos em quatro palavras: amor, humildade, caridade e fé.




As vibrações dos orixás

- Oxalá: essas entidades incorporam suavemente, com vibrações pelas costas e nuca do aparelho. O chacra vibrado é o coronário, o que faz com que o aparelho curve ligeiramente a cabeça. As entidades dessa Linha falam pouquíssimo e quando o fazem o seu linguajar é perfeito e correto. Não gostam de dar consultas e suas incorporações são para esclarecimento de pontos de doutrina.

- Oxossi: essas entidades vibram por meio do chacra esplênico, produzindo suas vibrações nas pernas, de baixo para cima, e no tronco dos seus aparelhos, o que produz um movimento de rotação sem ser violento nem brusco. Tais entidades são suaves, porém diretas, gostam de dar consultas e são mestres na arte de curar por meio de profundos conhecimentos das ervas e sua terapêutica. Falam pausado, geralmente caminham muito, caracterizando-se pelos seus assobios e estalar de dedos, e emitem o som ”okê”, que é um mantra.
- Ogum: atuam no chacra umbilical ou plexo solar. Suas vibrações são geralmente bruscas e violentas, provocando no médium movimentos de arranco característicos. Ao se incorporarem emitem sons estridentes, abertos, gritados ria vogal ”ê” o que sem dúvida é um som mágico, um ”mantra” de fixação e de movimentação na precipitação de certas camadas. A postura dos Oguns é sempre ereta, imponente e desempenada, graças à irradiação de cima para baixo, provocada pela imantação do plexo solar, no sentido do tronco e do busto, o que provoca um movimento de descontração para fora, que observamos no movimento do braço esticado com o dedo em riste do médium incorporado com essas entidades.

- Xangô: essas entidades caracterizam-se pelo modo brusco de suas incorporações, seguidas pelo som semi-agudo na vogal “ô”, que emitem amiúde quando “firmadas” nos seus aparelhos. O chacra vibrado é o “cardíaco”, o que se faz sentir pelo movimento dos punhos dos Xangôs de encontro a essa região, fixando, dessa forma e por esse gesto, os seus fluidos nos chacras de seus aparelhos. Raramente falam o dão consultas, porém deslocam as mais sutis vibrações em seus trabalhos. Além do movimento característico de bater com os punhos fechados na altura do chacra cardíaco do seu instrumento para fixar vibrações, os xangôs sempre se curvam em humilde reverência quando se apresentam. Isso é, indubitavelmente, a conseqüência do chacra em que atuam, o cardíaco, que se reflete no amor enorme e na humildade suprema de suas reverências.

- Yemanjá: esta linha é também conhecida como a do “povo d” ou “povo do mar”. Caracterizam-se suas vibrações pela sensação de frio e arrepios pelos braços, tronco, costas, nuca e cabelos, principalmente, seguida pelo girar rápido porque, no momento em que o aparelho é tomado pela entidade, há perda do centro de gravidade, tal a força vibratória deslocada e produzida em seus médiuns. O chacra vibrado é o frontal, o que provoca uma ativação maior nas glândulas lacrimais, fazendo com que o aparelho chore, por vezes, copiosamente. Este chacra ativado dá reflexos na região cervical produzindo sons, evidentemente “mantras”, não raro de grande beleza, que o vulgo, comumente, atribui a um canto ou lamento, sem dúvida pela associação do mar ao canto das sereias. As entidades desta Linha raramente dão consultas e quando o fazem sua voz tem nuanças profundas de sons indescritíveis, claros e cristalinos. Têm conhecimentos profundos e grande vibração.

- Yorimá (pretos-velhos): os fluidos vibram no chacra na base da coluna vertebral e provocam uma irradiação pela coluna vertebral, obrigando o aparelho a se curvar. O Kundalini, uma vez avivado, provoca no aparelho uma lassidão que se exterioriza na voz pausada, cansada, dando o - aspecto geral peculiar num velho

- Yori (crianças): a vibração dos puros atua no chacra laríngeo. A voz afina, torna-se mais pura, musical se aparência infantil. Entretanto, é necessário compreender que a vibração das crianças caracteriza-se por sua pureza, por sua beleza de inocência simbólica, jamais pelas “patacoadas” grosseiras e até mesmo malévolas que querem atribuir a essa Linha. E muito comum se ouvir dizer: “Eu gosto de consultar as crianças, pois elas não têm ‘papas na língua’ e dizem tudo!”. Isso é o maior dos absurdos! A Linhas dos Puros, transformada em linha de garotos travessos e irresponsáveis, não muito puros e nem muito sábios, usados para fins ilícitos. Quando isso acontece, na maioria das vezes não são crianças e sim, quiumbas ou espíritos zombeteiros, que vêm perturbar as reuniões, ou, quando não, Exus Pagãos que são confundidos pelos mais “sabidos” com a mais pura das vibrações. As vibrações de Yori são suaves e gostam de consultar sentados no chão, manipulando coisas doces ou que contenham açúcar.